Nuvem de Algodão
Meire Rocha

TEMPO PARA TUDO
Tudo neste mundo tem seu tempo;
cada coisa tem sua ocasião.
Há um tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derrubar e tempo de construir;
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar:
tempo de chorar e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de afastar;
Há tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
tempo de rasgar e tempo de remendar;
tempo de ficar calado e tempo de falar.
Há tempo de amar e tempo de odiar
tempo de guerra e tempo de paz.
Eclesiaste 3, 1-8

Fiquei pensando no por que demorei, adiei tanto, escrever esse texto. Creio que não gostaria de enfrentar este momento, gostaria de adiá-lo até o fim. Mas tudo tem seu tempo, como está em Eclesiastes, tempo de nascer e de morrer, de abraçar e de afastar...

É chegada a hora de novos tempos...

As expectativas para a nova escola da Júlia são muitas: primeiro que ela consiga se adaptar bem, que seja acolhida, que a proposta pedagógica seja também crítica, que ela não sofra bulling, que nós pais consigamos ter um diálogo aberto com professores e a direção, enfim, que ela se sinta bem e seja feliz nesse novo espaço.

Quanto ao CENA, tenho muito a agradecer por todo o carinho, atenção, aprendizado que foi ofertado à Júlia, incluindo todas as educadoras, auxiliares, equipe pedagógica, pessoal da cozinha, secretaria, manutenção.

Júlia entrou no Hotelzinho Nuvem de Algodão com pouco mais de quatro meses de vida, depois de visitar diversos locais e, conforme indicação de amigos, e tendo gostado da recepção da equipe, decidi confiar o meu bem mais precioso, minha “jóia rara”, às mãos delicadas e amorosas de “Vera” e “Cris”, as primeiras educadoras que cuidaram de Júlia. No início achei que meu bebê não iria “sobreviver” sem mim, mas, aos poucos, fui compreendendo que era eu que teria que “sobreviver” sem ela, que estava muitíssimo bem no novo espaço. Todo o dia, no horário do almoço, ia amamentá-la e deixar um pouco de leite para o período da tarde.

Para mim, tudo era perfeito, com agenda para verificar a rotina diária, câmera para dar uma olhada na pequena, de vez em quando, sem ficar “neurótica”, afinal não curto “Big Brother”, acompanhados por uma equipe muito especial, com nutricionista, psicóloga, guiados pela Nanci, uma super profissional, dedicadíssima e com uma metodologia que busca sonhar e construir juntos um mundo melhor para nossos filhos, mas sobretudo, uma pessoa maravilhosa que sempre nos acolheu com um sorriso aberto e fez com que acreditássemos nesse sonho de escola que é o Nuvem de Algodão.

Foram muitos anos, com momentos especiais, e algumas dificuldades superadas, sempre com muito diálogo, mas sobretudo, sempre foi um espaço de muitas alegrias e conquistas: a primeira palavra foi “mamão”, eu claro que disse que era Júlia tentando falar “mamãe”, os primeiros passos, os primeiros tombos, as mudanças de papinhas doces às salgadas e alimentos sólidos, o desenvolvimento da autonomia, o conhecimento do corpo, a contação de histórias, a capoeira, a musicalização, as muitas brincadeiras no quintal da escola...

Vera, Cris, Déo, Tita, Eva, Dani, Jocilene, Tati, Silvana, Elaine, Sandra, Andréia... são anjos que cuidaram e educaram com muito amor dessa turminha.

Não posso deixar de registrar que Vinícius foi companheiro de Júlia desde os primeiros dias, além, de Daniel, Miguel e João Pedro. Uma turminha muito unida que terá bastante história para contar daqui alguns anos, são crianças que tiveram a oportunidade de ser criança de verdade, colhendo goiaba, caju e manga do pé, catando pedrinhas, brincando na terra, de aprender fazendo mais perguntas, ao invés de receber “respostas prontas”, felizmente, suas asas foram mantidas, voando junto com suas educadoras, como a música “Aquarela”: “num lindo avião rosa e grená... que um dia descolorirá”.

Nosso muito obrigado, de coração, a todos que passaram em nossas vidas e somaram nessa conquista diária de cuidar de nossas crianças, seres iluminados que Deus nos presenteou e que, foram inspirados, nesta Escola, a serem pequenos cidadãos neste mundo tão carente de pessoas comprometidas em ser sal da terra e luz do mundo, como profetizava Jesus.

Beijos,

Meire Rocha do Nascimento

Mãe da Júlia

Dezembro/2011